Jucá: Uma esperança para mulheres com endometriose

Autores: Maria Clara Oliveira Lima , Sophia Minervino Bezerra, Rebeca Ketory Gomes Bezerra

Orientador: Artemízia Cyntia Bezerra de Medeiros

Instituição: Centro de Educação Integrada Professor Eliseu Viana

Cidade/UF: MOSSORO/RN



Pontuação do Projeto: 1.6

Série:

Etapa: Ensino Médio (Regular)

Status do projeto: Finalizado

Resumo:

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta mulheres em idade reprodutiva, impactando significativamente a qualidade de vida. Estratégias terapêuticas complementares têm sido investigadas para reduzir efeitos adversos e custos associados aos tratamentos convencionais. Este estudo avaliou o potencial terapêutico do decocto de jucá (Libidibia ferrea), com foco na caracterização fitoquímica e em propriedades antimicrobianas e anti-inflamatórias. O fruto da planta foi coletado, seco, triturado e submetido à decocção em água, obtendo-se o extrato final. Os testes fitoquímicos indicaram presença de fenólicos, saponinas e taninos hidrolisáveis. O pH do decocto foi ácido (3,5–4,0), sugerindo efeito antimicrobiano potencialmente sinérgico com os compostos bioativos. A detecção de fenólicos, saponinas e taninos reforça o potencial anti-inflamatório e antimicrobiano do extrato, enquanto o ensaio qualitativo de atividade antioxidante com peróxido de hidrogênio não apresentou reação, indicando necessidade de métodos quantitativos adicionais (DPPH, ABTS) para avaliação mais precisa. Os achados corroboram o uso tradicional do jucá em condições inflamatórias e destacam a relevância de estudos futuros voltados à quantificação, identificação e avaliação funcional de seus compostos bioativos.

Palavras-chave:

Endometriose; Libidibia ferrea; Jucá; Fitoterapia; Anti-inflamatório; Antimicrobiano.

Justificativa:

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta a qualidade de vida de milhões de mulheres, e os tratamentos convencionais, embora eficazes, podem apresentar limitações e efeitos adversos. O jucá (Libidibia ferrea), amplamente utilizado na medicina tradicional, possui compostos bioativos com potencial anti-inflamatório e antimicrobiano, o que o torna um candidato promissor para uso como terapia complementar. A investigação científica de suas propriedades busca validar seu uso tradicional e contribuir para o desenvolvimento de alternativas terapêuticas seguras, eficazes e de baixo custo no tratamento da endometriose.

Objetivo Geral:

Investigar o potencial terapêutico do extrato aquoso de jucá (Libidibia ferrea) na endometriose, com ênfase na caracterização fitoquímica de seus compostos bioativos.

Objetivo Específico:

Realizar testes laboratoriais preliminares para identificar classes de compostos bioativos presentes no jucá (L. ferrea). Avaliar a atividade anti-inflamatória do extrato aquoso de jucá por meio de ensaios laboratoriais in vitro relacionados à modulação da produção de mediadores inflamatórios. Investigar a atividade antimicrobiana do extrato aquoso de jucá contra microrganismos oportunistas associados a infecções secundárias na endometriose

Questões Norteadoras:

O jucá (Libidibia ferrea) contém compostos bioativos com ação terapêutica para endometriose?

Hipótese:

O extrato de jucá (L. ferrea) contém compostos bioativos capazes de exercer ação anti-inflamatória e antioxidante, contribuindo para a redução dos sintomas e da progressão da endometriose.

Metodologia:

O estudo avaliou os efeitos terapêuticos do extrato aquoso do jucá (Libidibia ferrea) no contexto da endometriose. As vagens foram coletadas em junho de 2025, no Assentamento Nova Esperança (Mossoró/RN), higienizadas, secas e trituradas. O extrato foi obtido por decocção, empregando-se 10 g de material seco para 100 mL de água destilada (1:10 m/v), com fervura por 15 min. Após resfriamento e filtração, o produto foi destinado às análises. As determinações físico-químicas incluíram medição de pH (pHmetro calibrado e fitas indicadoras, em triplicata). A triagem fitoquímica qualitativa contemplou: Saponinas: teste de espumação; Compostos fenólicos: reação com cloreto férrico 1%; Flavonoides: reação com NaOH 1%; Taninos: precipitação com gelatina 1% em NaCl 10%. A atividade antioxidante foi avaliada qualitativamente pela reação com H₂O₂ 3%. A atividade antimicrobiana foi investigada pelo método de difusão em ágar (Kirby-Bauer modificado), utilizando suspensões bacterianas padronizadas (0,5 McFarland), com controles positivo (antibiótico) e negativo (solvente). Os ensaios foram conduzidos em triplicata e as zonas de inibição, quando presentes, medidas em milímetros.

Referências:

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