POTENCIAL ANTIBACTERIANO DO MEL DA ABELHA JANDAÍRA (Melipona subnitida)

Autores: Joaquim Benicio Duarte Medeiros , Aritza Raissa de Souza da Silva, Maria Raissa Borges Rocha

Orientador: Artemízia Cyntia Bezerra de Medeiros

Instituição: Centro de Educação Integrada Professor Eliseu Viana

Cidade/UF: MOSSORO/RN



Pontuação do Projeto: 1.6

Série:

Etapa: Ensino Médio (Regular)

Status do projeto: Finalizado

Resumo:

A resistência bacteriana aos antibióticos constitui um desafio crescente para a medicina, estimulando a busca por alternativas naturais com potencial antimicrobiano. Nesse contexto, o mel produzido pela abelha jandaíra (Melipona subnitida), espécie nativa do semiárido nordestino, apresenta características físico-químicas e bioquímicas diferenciadas, destacando-se pelo elevado teor de compostos bioativos, como flavonoides, fenóis e enzimas, associados a propriedades terapêuticas, incluindo atividade antioxidante e potencial antibacteriano. Este estudo objetivou avaliar o potencial antimicrobiano do mel de jandaíra coletado em colmeias racionais na Serra Mossoró, RN, correlacionando suas propriedades químicas à presença de bioativos específicos. As amostras foram analisadas quanto ao pH, grau Brix e teor de umidade, além de submetidas a testes qualitativos para identificação de flavonoides, fenóis e atividade antioxidante por meio de reações com cloreto férrico e peróxido de hidrogênio. O mel apresentou pH ácido (~3,6), grau Brix de 69° e umidade estimada em 18%, indicando boa estabilidade físico-química e baixo risco de fermentação. As análises qualitativas confirmaram a presença de flavonoides e compostos fenólicos, reforçando seu potencial antioxidante. Apesar da ausência de reação significativa no teste com H₂O₂, os parâmetros obtidos evidenciam a capacidade do mel de inibir o crescimento microbiano em condições favoráveis, sugerindo correlação entre sua composição bioativa e possível ação antimicrobiana. Os resultados indicam que o mel de jandaíra constitui um produto natural promissor, com potencial terapêutico e nutricional, reforçando a importância da conservação das abelhas nativas e da valorização da biodiversidade da Caatinga. Pesquisas futuras envolvendo ensaios microbiológicos e quantificação de compostos bioativos são recomendadas para validar e expandir suas aplicações clínicas e farmacológicas.

Palavras-chave:

Mel da jandaíra; Melipona subnitida; Ação antibacteriana; Compostos bioativos; Abelhas sem ferrão; Etnofarmacologia; Meliponicultura.

Justificativa:

A crescente resistência bacteriana aos antibióticos representa um desafio global à saúde pública, dificultando o tratamento de infecções e aumentando os riscos associados a doenças comuns. Nesse contexto, a busca por alternativas naturais com potencial terapêutico torna-se essencial, tanto para ampliar o arsenal de agentes antimicrobianos quanto para explorar produtos sustentáveis e de baixo impacto ambiental. O mel produzido pela abelha jandaíra (Melipona subnitida), espécie nativa do semiárido nordestino, apresenta características físico-químicas e bioativas distintas em relação aos méis convencionais, incluindo elevado teor de flavonoides, fenóis e enzimas. Estudos indicam que esses compostos podem conferir propriedades antimicrobianas, antioxidantes e anti-inflamatórias, sugerindo o potencial do mel como alternativa ou complemento aos antibióticos tradicionais. Diante disso, a realização desta pesquisa é relevante por diversos motivos: primeiro, contribui para a validação científica do uso do mel da jandaíra em aplicações terapêuticas; segundo, fortalece a valorização da biodiversidade local e a conservação das abelhas nativas.

Objetivo Geral:

Analisar o potencial antibacteriano do mel produzido pela abelha jandaíra (M. subnitida) frente a diferentes cepas bacterianas.

Objetivo Específico:

Caracterizar os compostos químicos presentes no mel da jandaíra associados à atividade antibacteriana. Realizar ensaios microbiológicos para testar a ação inibitória do mel frente a diferentes cepas bacterianas. Comparar a eficácia antibacteriana do mel da jandaíra com a de outros produtos naturais com propriedades semelhantes.

Questões Norteadoras:

O mel da abelha jandaíra (Melipona subnitida) apresenta atividade antibacteriana eficaz contra microrganismos patogênicos associados a infecções humanas?

Hipótese:

O mel da abelha jandaíra apresenta ação antibacteriana significativa, promovendo a inibição do crescimento de cepas de maneira semelhante à observada em antibióticos de origem sintética.

Metodologia:

3. MATERIAIS E MÉTODOS Esta seção descreve os procedimentos adotados para avaliar o potencial antibacteriano do mel produzido pela abelha jandaíra (Melipona subnitida). Foram realizadas análises físico-químicas para caracterizar as propriedades do mel, bem como testes microbiológicos para investigar sua eficácia contra cepas bacterianas selecionadas. As técnicas empregadas foram escolhidas por sua capacidade de fornecer dados quantitativos e qualitativos relevantes para a compreensão da atividade antimicrobiana do produto. 3.1 Coleta e armazenamento do material de estudo O mel da abelha jandaíra (Melipona subnitida) foi coletado de colmeias racionais localizadas em uma propriedade rural da Serra Mossoró (foto 1), Mossoró/RN (Latitude: -5.1875, Longitude: -37.3444). As amostras foram armazenadas em garrafas de vidro, esterilizadas, em temperatura ambiente (25 ± 2 °C), protegidas da luz, umidade e contaminações externas, a fim de preservar suas propriedades físico-químicas e biológicas. Antes da realização das análises, as amostras foram homogeneizadas manualmente para garantir uniformidade.   3.2 Análises laboratoriais As análises laboratoriais ocorreram durante os meses de julho e agosto de 2025. As análises físico-químicas foram realizadas no laboratório de Águas e Efluentes do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e os testes microbiológicos no laboratório de Microbiologia Veterinária da Universidade Federal Rural do Semiárido (UFERSA). 3.2.1 Teste de pH Para a determinação da acidez do mel, foram pesados, em balança de precisão 10 g do mel, posteriormente dissolvidos em 10 mL de água destilada, sob agitação constante até obtenção de solução homogênea. A medição do pH foi realizada por meio de duas metodologias complementares: inicialmente, utilizando um pHmetro digital (foto 2) previamente calibrado, garantindo a precisão das leituras a 26,4 °C; em seguida, foi efetuada a leitura com papel indicador de pH (foto 3) para confirmação visual dos valores obtidos. Ambos os testes foram realizados em triplicata. A avaliação da acidez é fundamental, pois o pH ácido do mel atua como um fator inibitório na proliferação bacteriana, contribuindo para sua atividade antimicrobiana. 3.2.2 Teste com cloreto férrico (FeCl₃) para detecção de compostos fenólicos Para a análise qualitativa de compostos fenólicos, empregou-se o teste com cloreto férrico (FeCl₃), reagente amplamente reconhecido por sua capacidade de formar complexos coloridos na presença de grupos fenólicos. Para a preparação da amostra, pesou-se 10 g de mel, os quais foram dissolvidos em 10 mL de água destilada, sob agitação constante, até a obtenção de uma solução homogênea. Concomitantemente, preparou-se uma solução aquosa de cloreto férrico a 1% (m/v), garantindo-se sua completa homogeneização antes do uso. Em tubos de ensaio limpos, adicionaram-se 2 mL da solução da amostra e, em seguida, 1 mL da solução de FeCl₃. A observação foi feita imediatamente após a adição do reagente (foto 4). Para garantir a confiabilidade dos resultados, o teste foi realizado em triplicata. A identificação de compostos fenólicos é de grande relevância, uma vez que essas substâncias apresentam propriedades antioxidantes e antimicrobianas, contribuindo significativamente para a qualidade e funcionalidade de produtos naturais, como o mel.   3.2.3 Teste com Peróxido de Hidrogênio (H₂O₂) Para a análise qualitativa da capacidade antioxidante da amostra, foi realizado o teste com peróxido de hidrogênio (H₂O₂), com base na redução do H₂O₂ por compostos com potencial antioxidante. O princípio do teste está na capacidade de certos compostos bioativos, especialmente fenólicos e flavonoides, de neutralizar o peróxido de hidrogênio, minimizando a formação de espécies reativas de oxigênio (EROs). Inicialmente, foram pesados 10 g da amostra, os quais foram dissolvidos em 10 mL de água destilada, sob agitação constante até a obtenção de uma solução homogênea. Em tubos de ensaio limpos, adicionaram-se 2 mL da solução da amostra e, em seguida, 1 mL de solução de peróxido de hidrogênio a 3% (v/v). A mistura foi mantida em repouso por 10 minutos à temperatura ambiente, protegida da luz direta (foto 5). A diminuição da intensidade do peróxido de hidrogênio foi avaliada visualmente, por meio da redução da turbidez ou da ausência de liberação significativa de oxigênio (efervescência), sugerindo a atuação de compostos antioxidantes na neutralização do H₂O₂. Resultados positivos indicam a presença de substâncias capazes de reduzir o estresse oxidativo, como ácidos fenólicos e flavonoides. Para garantir a confiabilidade dos dados, os testes foram realizados em triplicata. A verificação da atividade antioxidante é de grande importância, pois está diretamente relacionada à estabilidade, funcionalidade e potencial terapêutico de produtos naturais, como o mel.   3.2.4 Teor de sólidos solúveis (°Brix) O grau Brix (°Brix) corresponde à porcentagem de sólidos solúveis presentes em uma solução, sendo determinado com base no índice de refração da amostra. No caso específico do mel, esses sólidos são predominantemente açúcares, como frutose, glicose e sacarose, além de pequenas proporções de sais minerais, aminoácidos, ácidos orgânicos e outros compostos bioativos que contribuem para suas propriedades físico-químicas e sensoriais. A determinação do °Brix foi realizada utilizando-se um refratômetro específico para mel. Para a análise, depositaram-se cuidadosamente duas gotas de mel diretamente sobre o prisma do equipamento, garantindo o recobrimento uniforme da superfície óptica. A leitura foi efetuada com a amostra à temperatura de 23,7 °C, condição registrada para posterior correção, caso necessário, de acordo com a tabela de compensação de temperatura do equipamento. 3.2.5 Teor de umidade O teor de umidade do mel pode ser estimado indiretamente a partir da leitura do grau Brix (°Brix), utilizando-se tabelas de conversão específicas para essa matriz, como a Tabela de Chataway, baseada na relação entre o índice de refração e a concentração de sólidos solúveis. Como o mel é composto majoritariamente por açúcares, a variação no conteúdo de água altera diretamente seu índice de refração, permitindo o cálculo da umidade. Após a determinação do °Brix com o refratômetro, o valor obtido é convertido em teor de umidade (%) por meio da Tabela de Chataway, elaborada considerando-se também a temperatura da amostra. Leituras mais elevadas de °Brix indicam menor teor de água, enquanto valores mais baixos correspondem a maior umidade. A Tabela de Chataway é amplamente utilizada em análises de controle de qualidade, pois o teor de umidade influencia diretamente a viscosidade, cristalização, estabilidade microbiológica e prazo de validade do mel. De acordo com o Codex Alimentarius, o teor de umidade do mel não deve exceder 20%, a fim de minimizar riscos de fermentação e degradação do produto.

Referências:

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