Projeto Interdisciplinar:

Autores: Ísis Oliveira de Sena, Caio Noal Arroxellas

Orientador: SABRINA COMPANHONI

Coorientador: Jaqueline Maciel

Instituição: EMEI DOM LUIZ DE NADAL

Cidade/UF: PORTO ALEGRE/RS



Pontuação do Projeto: 2

Série: Jardim I

Etapa: Educação Infantil

Status do projeto: Finalizado

Resumo:

Este trabalho apresenta o percurso investigativo ocorrido na EMEI Dom Luiz de Nadal ao longo de 2025, envolvendo as oito turmas da Educação infantil, suas orientadoras pedagógicas e as equipes dos setores de Inovação Tecnológica e Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER) da escola. A proposta teve como objetivo fortalecer a cultura investigativa desde a primeira infância, articulando ciência, tecnologia, metodologias ativas e práticas pedagógicas antirracistas, com foco na valorização de cientistas negras e na ampliação das possibilidades de identificação das crianças com o fazer científico. As ações foram orientadas pelos marcos legais e curriculares — Constituição Federal (1988), LDB (1996), DCNEI (2009), Diretrizes de ERER (2004) e BNCC (2017) — e fundamentadas teoricamente em autores como Paulo Freire, Vygotsky, Piaget, Nilma Lino Gomes, Kabengele Munanga, Cida Bento e bell hooks. A partir desses referenciais, o projeto promoveu experiências de exploração, observação, formulação de hipóteses, registro em múltiplas linguagens e socialização das descobertas para toda a comunidade escolar. Cada turma pesquisou a trajetória de uma cientista negra e, mensalmente, compartilhou suas descobertas em apresentações interativas, envolvendo experimentações, jogos e atividades construídas pelas próprias crianças. Esse movimento favoreceu o rompimento de estereótipos historicamente associados à ciência, evidenciando que a produção de conhecimento é plural, diversa e acessível. Para muitas crianças, especialmente meninas e crianças negras, a presença de referenciais positivos possibilitou fortalecer a construção identitária e reconhecer-se como sujeito capaz de pesquisar, descobrir e criar. A avaliação ocorreu de maneira contínua e formativa, apoiada por portfólios e diários de bordo que registraram processos e avanços individuais e coletivos. Como resultado, o projeto consolidou práticas de iniciação científica na Educação Infantil, ampliou repertórios culturais e científicos das crianças e qualificou a formação docente em metodologias ativas, ERER e tecnologias educacionais.

Palavras-chave:

Iniciação Científica na Infância; Educação Infantil; Práticas Antirracistas; Relações Étnico-Raciais (ERER); Metodologias Ativas; Inovação Tecnológica; Representatividade Negra; Identidade Infantil; Cientistas Negras; Protagonismo Infantil; Diversidade; Cultura Afro-Brasileira e Indígena; Educação para a Equidade; Documentação Pedagógica; Formação Docente.

Justificativa:

A escolha da temática “Mulheres Negras e suas Grandes Contribuições na Ciência” representou a continuidade e o aprofundamento do compromisso da EMEI Dom Luiz de Nadal com uma educação equitativa, crítica e representativa. Historicamente, a figura do cientista foi construída como masculina, branca e distante das experiências culturais da maioria da população. Esse imaginário, quando não questionado, restringe o direito das crianças negras e das meninas de se reconhecerem como produtoras de conhecimento. Como afirmam Vigano e Laffin (2019), as relações de gênero e raça são produzidas socialmente e precisam ser problematizadas desde a infância, sob pena de perpetuar desigualdades simbólicas e estruturais. Assim, o projeto buscou romper estereótipos, promovendo um ambiente de descoberta científica e valorização da diversidade. Ao integrar o trabalho de Iniciação Científica, as crianças puderam formular hipóteses, testar ideias, observar fenômenos e construir registros, entendendo que a ciência é feita por muitas mãos — inclusive por mãos negras e femininas. Além de cumprir as exigências legais das Leis 10.639/03 e 11.645/08, a iniciativa alinhou-se à BNCC (2017), às DCNEI (2009) e às Diretrizes Curriculares para ERER (2004), que orientam o desenvolvimento de práticas educativas que promovam a valorização da pluralidade

Objetivo Geral:

Promover uma educação antirracista e científica na Educação Infantil, reconhecendo e divulgando as contribuições históricas das mulheres negras na ciência e vivenciando, na prática, experiências investigativas e criativas integradas ao trabalho de Iniciação Científica.

Objetivo Específico:

Valorizar o papel das mulheres negras na construção da ciência. Propiciar experiências de iniciação científica de forma lúdica e significativa. Desenvolver a curiosidade, a observação, o levantamento de hipóteses e a experimentação. Integrar ciência, arte, literatura e cultura preta e afro-brasileira. Fortalecer a autoestima e a identidade das crianças negras(pretas e pardas). Consolidar práticas pedagógicas pautadas em equidade e representatividade. Envolver famílias e comunidade na reflexão sobre diversidade e inclusão.

Questões Norteadoras:

Como conhecer a trajetória e as descobertas de mulheres negras cientistas pode nos inspirar a compreender o que é ser cientista, a investigar o mundo ao nosso redor e a descobrir maneiras de cuidar da natureza e das pessoas?

Hipótese:

A gente pode ser cientista mesmo sendo criança. As mulheres negras fizeram coisas muito importantes para o mundo. A ciência ajuda a cuidar da natureza. Quando a gente observa bem, a gente descobre coisas novas.

Metodologia:

O projeto foi desenvolvido com base nos princípios das metodologias ativas e da metodologia científica, compreendendo as crianças como protagonistas do processo de aprendizagem. Nesse contexto, o educador atua como mediador, provocando a curiosidade, o levantamento de hipóteses e a construção de significados por meio da investigação, da experimentação e do diálogo coletivo. Inspirada em autores como Paulo Freire (1996) e Vygotsky (1988), a prática pedagógica da EMEI Dom Luiz de Nadal considera que o conhecimento se constrói na relação entre sujeitos, em um movimento contínuo de ação, reflexão e reconstrução. Assim, o projeto “Cultura, Arte e Orgulho 2025 – Mulheres Negras e suas Grandes Contribuições na Ciência” segue estruturado como um percurso investigativo e colaborativo, no qual as oito turmas da escola se tornam pequenos grupos de pesquisa, vivenciando cada etapa da metodologia científica.

Referências:

Legislação BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 23 dez. 1996. BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei nº 9.394/1996 para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 10 jan. 2003. BRASIL. Lei nº 11.645, de 10 de março de 2008. Altera a Lei nº 9.394/1996 para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 11 mar. 2008. BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília, DF: MEC/SECAD, 2004. BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. Brasília, DF: MEC/SEB, 2009. BRASIL. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, 2017. Obras teóricas BENTO, Cida. O pacto da branquitude. São Paulo: Companhia das Letras, 2020. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. GOMES, Nilma Lino. Educação, identidade negra e formação de professores. Belo Horizonte: Autêntica, 2017. HOOKS, bell. Ensinando a transgredir: a educação como prática da liberdade. São Paulo: Martins Fontes, 2019. MUNANGA, Kabengele. Superando o racismo na escola. Brasília, DF: MEC/UNESCO, 2005. PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro: LTC, várias edições. VIGANO, R.; LAFFIN, M. Gênero, infância e educação. Florianópolis: Editora da UFSC, 2019.

Documento:
2025 SIC.pdf
Apresentação:
Apresentação