HARKA: Aplicativo De Emergência Com Geolocalização para o Enfrentamento Da Violência Contra a Mulher

Autores: HELOISA DA SILVA FERREIRA, FRANCISCA RUANA VITORIA CHAVANTE PIMENTA, AYLA LORRANY FERNANDES VIEIRA

Orientador: José Hérikson Dantas do Amaral

Coorientador: Josedma Dantas de Almeida

Instituição: ESCOLA ESTADUAL PEDRO GURGEL

Cidade/UF: ALMINO AFONSO/RN



Pontuação do Projeto: 1.6

Série:

Etapa: Ensino Fundamental II

Status do projeto: Finalizado

Resumo:

A violência contra a mulher representa um dos mais graves problemas sociais enfrentados no Brasil. Diante do crescimento dos índices de feminicídio e das dificuldades que as vítimas têm para pedir ajuda, este projeto propôs o desenvolvimento de um aplicativo de emergência chamado HARKA. O aplicativo, criado por estudantes do 9º ano da Escola Estadual Professor Pedro Gurgel, tem acionamento simples por meio de um toque discreto em um ícone, enviando automaticamente mensagens de socorro e a localização em tempo real para autoridades e contatos de confiança. A pesquisa adotou uma abordagem qualitativa e exploratória, fundamentada em dados oficiais nacionais, estaduais e locais, incluindo relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), da SESED/RN e da Comarca de Almino Afonso. Após testes práticos, o aplicativo se mostrou funcional, acessível e eficaz, validando a proposta inicial. A escolha da plataforma Lovable foi decisiva para garantir usabilidade e eficiência. Além de tecnológica, a iniciativa possui forte caráter educativo, ao estimular o protagonismo juvenil, a empatia e o compromisso com os direitos humanos. O projeto HARKA demonstra que a ciência pode ser aplicada com sensibilidade social, promovendo soluções reais e acessíveis para problemas urgentes, como a violência de gênero.

Palavras-chave:

Violência contra a mulher, Aplicativo de emergência, Direitos humanos, Tecnologia social, Protagonismo juvenil.

Justificativa:

O agravamento dos índices de violência contra a mulher no Brasil, evidenciado por dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP, 2025), reforça a urgência de estratégias inovadoras que promovam proteção efetiva às vítimas. Em um cenário onde muitas mulheres enfrentam obstáculos para denunciar seus agressores — seja por medo, vigilância constante ou ausência de mecanismos discretos —, o uso da tecnologia emerge como alternativa promissora. O desenvolvimento de aplicativos com acionamento silencioso e envio automático de geolocalização em tempo real pode contribuir significativamente para o enfrentamento desse problema. O aplicativo HARKA, idealizado por um grupo de estudantes mulheres da educação básica, surge como uma resposta concreta a essa demanda. Trata-se de uma ferramenta digital acessível, funcional e ética, voltada à ampliação dos meios de denúncia e à proteção da vida de mulheres em contextos de vulnerabilidade. Ao articular ciência, tecnologia e protagonismo juvenil, o projeto não apenas propõe uma solução prática, como também evidencia o papel da educação científica na construção de respostas socialmente relevantes e transformadoras.

Objetivo Geral:

Desenvolver um aplicativo de emergência para auxiliar mulheres em situação de vulnerabilidade, possibilitando o envio rápido e discreto de pedidos de socorro com geolocalização em tempo real.

Objetivo Específico:

- Desenvolver um aplicativo funcional, leve e acessível, com acionamento por toque em um ícone específico na tela, capaz de enviar mensagens de socorro e geolocalização em tempo real. - Investigar os índices e formas de violência contra a mulher no Brasil, no Rio Grande do Norte e na comarca de Almino Afonso/RN (2021–2025), contextualizando a importância da ferramenta. - Analisar o potencial da tecnologia como aliada no enfrentamento à violência de gênero, promovendo reflexões sobre sua aplicação prática e impacto social.

Questões Norteadoras:

Como garantir mecanismos acessíveis e tecnologicamente eficazes que possibilitem a mulheres em situação de vulnerabilidade acionar ajuda de forma imediata, discreta, segura e eficiente, mesmo sob ameaça direta?

Hipótese:

A implementação de um aplicativo de emergência com acionamento discreto, geolocalização em tempo real e interface acessível pode representar uma solução tecnológica eficaz para ampliar os meios de solicitação de ajuda por mulheres em situação de violência, promovendo maior agilidade na resposta das autoridades e contribuindo para a redução dos riscos à integridade física e emocional das vítimas.

Metodologia:

Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa aplicada, pois tem como finalidade a solução de um problema real e específico da sociedade: a dificuldade que mulheres em situação de violência enfrentam para pedir ajuda de forma rápida, segura e discreta. A abordagem adotada é qualitativa, pois busca compreender, interpretar e propor intervenções a partir da realidade social observada. O objetivo da pesquisa é exploratório, visto que investiga um problema ainda pouco abordado sob a ótica da tecnologia aplicada ao contexto local. Como procedimento técnico, optamos pelo desenvolvimento tecnológico, criando um aplicativo funcional baseado em plataformas digitais acessíveis. A primeira etapa metodológica consistiu no levantamento de informações sobre a violência contra a mulher em três níveis: nacional, estadual e local. Para os dados do Brasil e do Rio Grande do Norte, consultamos relatórios oficiais publicados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), pela Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed-RN) e por institutos como o Atlas da Violência. No caso de Almino Afonso/RN, enviamos um ofício digital à Comarca local solicitando, de forma respeitosa e ética, o acesso a dados sobre ocorrências de violência contra a mulher. No texto do ofício, explicamos que os dados seriam utilizados exclusivamente para fins científicos e educacionais, no contexto da Feira de Ciências – Ciências para Todos. O pedido foi atendido, e os dados recebidos, organizados pela Secretaria do Fórum Desembargador Deusdedith Maia, foram essenciais para compreendermos o cenário local, embasando diretamente a proposta de criação do aplicativo HARKA. Para o desenvolvimento do aplicativo, iniciamos a construção por meio da plataforma MIT App Inventor, escolhida por ser gratuita, acessível e amplamente utilizada por iniciantes em programação. No entanto, enfrentamos diversas dificuldades na organização visual da interface: os ícones não se alinhavam corretamente, a aparência da tela principal comprometia a usabilidade, e o aplicativo deixava de ser intuitivo, o que contrariava a proposta inicial. Foi então que conhecemos a plataforma Lovable, baseada em IA generativa, o que nos permitiu descrever verbalmente como o aplicativo deveria funcionar e a inteligência artificial estruturava a interface com base nas nossas instruções.

Referências:

CERQUEIRA, D. et al. (Coord.). Atlas da Violência 2025. Rio de Janeiro: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; São Paulo: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2025. Disponível em: https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2025/05/atlasviolencia-2025.pdf. Acesso em: 03 jun. 2025. FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA (FBSP). Visível e invisível: a vitimização de mulheres no Brasil. 5. ed. São Paulo: FBSP, 2025. Disponível em: https://forumseguranca.org.br. Acesso em: 03 jul. 2025. GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. LOVABLE. Build apps with AI. Disponível em: https://lovable.so. Acesso em: 05 ago. 2025. MEDEIROS, Francielly. Tentativas de feminicídio no RN crescem 88% em 2024, aponta Sesed. G1 Rio Grande do Norte, 18 jul. 2024. Disponível em: https://g1.globo.com/rn/ rio-grande-do-norte/noticia/2024/07/18/tentativas-de-feminicidio-no-rn- crescem-88percent-em-2024-aponta-sesed.ghtml. Acesso em: 03 jun. 2025. MIT APP INVENTOR. App Inventor: create apps for Android. Massachusetts Institute of Technology. Disponível em: https://appinventor.mit.edu. Acesso em: 03 jun. 2025. PODER JUDICIÁRIO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE. Relatório de ocorrências da Comarca de Almino Afonso: violência contra a mulher (2024–2025). Fórum Desembargador Deusdedith Maia, 2025. RIO GRANDE DO NORTE. Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social – SESED. Relatório estatístico anual 2024. Natal: SESED, 2024.