A APLICAÇÃO DE PALMA FORRAGEIRA (Opuntia cochenillifera) NA PRODUÇÃO DE COURO VEGETAL

Orientador: Artemízia Cyntia Bezerra de Medeiros

Instituição: Centro de Educação Integrada Professor Eliseu Viana

Cidade/UF: MOSSORO/RN



Pontuação do Projeto: 1.8

Série:

Etapa: Ensino Médio (Regular)

Status do projeto: Finalizado

Resumo:

O objetivo deste trabalho é produzir um material alternativo ao couro animal utilizando palma forrageira (Opuntia cochenillifera). Este projeto investiga as propriedades exclusivas dessa matéria-prima e incorpora uma invenção criativa que utiliza materiais acessíveis capazes de fomentar outras inovações e aplicações na indústria têxtil e de moda. A abordagem experimental adotada foi o Mixture Design, que estuda formulações onde os componentes de uma mistura são as variáveis de interesse. Foram testados cladódios de palma forrageira in natura e dessecados, combinados com diferentes matrizes, incluindo cola à base de amido de mandioca e adesivo gelatinoso transparente. Os testes revelaram que a mistura de cladódios dessecados com cola de amido de mandioca e adesivo gelatinoso transparente foi a que melhor se adequou aos objetivos do projeto. Observou-se que os cladódios perdem propriedades de interesse quando expostos a calor excessivo ou quando processados. O material obtido apresentou boa durabilidade, resistência à dobra, moderada resistência à tração e facilidade para secagem. Considera-se a relevância de testes adicionais como resistência a agentes químicos, análise de biodegradabilidade e resistência ao desgaste e abrasão. A produção de um material alternativo ao couro animal a partir de palma forrageira mostrou-se viável, com boas propriedades mecânicas e potencial para aplicação prática. A metodologia adotada permitiu identificar as melhores combinações de materiais, resultando em um produto sustentável e acessível.

Palavras-chave:

moda sustentável; mixture design; inovação têxtil.

Justificativa:

A indústria da moda enfrenta crescente pressão para adotar práticas sustentáveis devido aos impactos ambientais e éticos do uso do couro animal. O setor é um dos maiores poluidores, contribuindo com cerca de 10% das emissões globais de carbono e exigindo grandes quantidades de água para a produção (Lopes, 2019; Niinimäki & Hassi, 2011; PETA, 2017). Em resposta a essas preocupações, a palma forrageira (Opuntia), tradicionalmente utilizada na alimentação animal, surge como uma alternativa promissora. Esta planta, adaptada a climas tropicais e semiáridos, oferece fibras longas e sustentáveis com baixo impacto ambiental. O uso do couro animal levanta questões éticas relacionadas ao tratamento de animais e ao impacto ambiental da sua produção (Rosa, 2019). Portanto, é crucial buscar alternativas que reduzam esses problemas. Este projeto visa explorar as propriedades físicas e químicas das fibras da palma forrageira e sua aplicação no setor têxtil sustentável. A palma forrageira, com suas características de durabilidade e biodegradabilidade, apresenta uma solução ambientalmente amigável e alinhada às demandas por uma moda mais ética e sustentável. O estudo pretende demonstrar a viabilidade dessa fibra têxtil ecológica e contribuir para práticas mais responsáveis na indústria da moda.

Objetivo Geral:

Desenvolver um couro vegetal utilizando como matéria-prima a palma forrageira (Opuntia cochenillifera).

Objetivo Específico:

Investigar a viabilidade técnica e econômica da produção de couro vegetal a partir da Opuntia cochenillifera como uma alternativa sustentável ao couro animal. Contribuir para a promoção de práticas mais sustentáveis na indústria da moda, oferecendo uma opção ecologicamente correta e inovadora de material para a fabricação de produtos de couro.

Questões Norteadoras:

É possível produzir um couro ecológico a partir da palma forrageira (Opuntia cochenillifera)?

Hipótese:

Acredita-se que a fibra têxtil da palma forrageira é uma alternativa sustentável ao couro de origem animal.

Metodologia:

A espécie selecionada para o estudo foi a palma forrageira (Opuntia cochenillifera), conhecida por sua resistência a condições adversas e baixo consumo de água. Os cladódios foram coletados na Comunidade de Riacho Grande, Mossoró, RN, e lavados para remover sujeiras e impurezas. Após o corte em pedaços menores, os cladódios foram desidratados usando secagem ao ar livre e em estufa a 60°C até atingirem uma umidade constante. Parte dos cladódios foi reservada para testes com material in natura. Para a formulação dos compósitos, foram escolhidas duas matrizes poliméricas: a cola à base de amido de mandioca e um adesivo gelatinoso transparente. O amido de mandioca foi dissolvido em água fria na proporção 1:5 e aquecido até formar uma pasta espessa e homogênea. O adesivo gelatinoso foi preparado dissolvendo 50 g de gelatina em 250 ml de água, aquecido até obter uma solução clara e homogênea. O delineamento experimental utilizou a metodologia Mixture Design para otimizar a formulação dos compósitos. No primeiro teste, os cladódios foram triturados até obter uma consistência gelatinosa, separados da mucilagem por peneiração, e secos em forno a 180°C por uma hora, com monitoramento a cada 15 minutos. No segundo teste, após adicionar água e separar sólido e líquido por decantação, o material sólido foi seco em forno a 180°C por duas horas em uma forma de silicone. No terceiro teste, os cladódios foram desidratados ao sol por três dias, pulverizados e misturados com adesivo amiláceo de mandioca na proporção 1:5, secando naturalmente por dois dias. No quarto teste, os cladódios foram desidratados ao sol por dois dias, cortados em tiras e revestidos com adesivo amiláceo de mandioca e adesivo gelatinoso transparente.

Referências:

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